quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Exú para Jorge Amado

  Não sou preto, branco ou vermelho, tenho as cores e formas que quiser.

Não sou diabo nem santo, sou exu!
Mando e desmando, traço e risco, faço e desfaço.
Estou e não vou, tiro e não dou.
Sou exu.
Passo e cruzo, traço, misturo e arrasto o pé
Sou reboliço e alegria.
Rodo, tiro e boto, jogo e faço fé.
Sou nuvem, vento e poeira
Quando quero, homem e mulher, sou das praias, e da maré.
Ocupo todos os cantos.
Sou menino, avô, maluco até.
Posso ser joão, maria ou josé.
Sou o ponto do cruzamento.
Durmo acordado e ronco falando
Corro, grito e pulo
Faço filho assobiando
Sou argamassa
De sonho carne e areia.
Sou a gente sem bandeira,
O espeto, meu bastão.
O assento? O vento!..
Sou do mundo,nem do campo, nem da cidade, não tenho idade.
Recebo e respondo pelas pontas, pelos chifres da nação
Sou exu.
Sou agito, vida, ação
Sou os cornos da lua nova
A barriga da rua cheia!...
Quer mais? Não dou,
Não tou mais aqui

Salvador, 17 de maio de 1993

Mario Cravo

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